ENEM 2020 | #PensinaAprovação: Literatura

Neste post especial, o #PensinaAprovação vai abordar a temática Literatura para você mandar muito bem não só nas questões do ENEM, mas também na Redação. O conteúdo foi preparado pelo professor Arenildo dos Santos, que é expert da matéria e também no Exame. Continue lendo para conferir e conseguir a nota máxima no ENEM 2020. Ah! Fiquem atentos também aos outros conteúdos do #PensinaAprovação:

 

Nosso expert, professor Arenildo, aposta que o fundamental para mandar bem na prova de Literatura é entender a intertextualidade. Até porque o modelo de prova do ENEM é completamente nesse formato que interliga dois ou mais assuntos de disciplinas diferentes, então atenção às dicas do nosso mestre e vamos com tudo gabaritar as questões que abordam Literatura. Confira:

 

Professor Arenildo - Literatura
Professor Arenildo

 

Você sabe o que é intertextualidade?  Assista ao documentário “AmarElo”, do Emicida, e terá um dos mais belos e recentes exemplos de intertextualidade – Professor Arenildo dos Santos

 

A Literatura e a Mitologia

Sempre houve uma estreita relação entre Literatura e Mitologia.  Os principais poetas da história da Literatura brasileira fizeram referências – ora explícitas, ora implícitas – a personagens míticos.  Foi assim principalmente no Arcadismo e no Parnasianismo.   Até os nomes dessas correntes literárias provêm da mitologia: “arcádia” e “parnaso” seriam nomes de referência a locais em que se cultuava os valores da antiguidade, os valores clássicos.

 

Quem nunca desejou voar?

Você já ouviu falar em “Ícaro”?  Trata-se de um personagem da mitologia grega, filho de “Dédalo”, um arquiteto genial que trabalhava para o “Rei Minos”, na Ilha de Creta.  Em determinado momento, Ícaro consegue sobrevoar, com asas fabricadas, e se fascina com a sensação.  Passa a desejar o voo permanente.  Voa, voa, voa, mas o Sol prejudica suas asas, e  Ícaro morre.   Com a sua morte, nasceu a simbologia de quem quer “voar”, ascender – em qualquer campo social – de forma utópica.

 

E por falar em Simbologia

O Simbolismo – escola literária que ocorreu no Brasil, ao final do século XIX – explorou aspectos metafísicos e transcendentais. O Simbolismo também valorizou a mitologia.   E um de nossos principais poetas – Alphonsus de Guimaraes – escreveu o belíssimo poema “Ismália”, que estabelece nítida e encantadora intertextualidade com “Ícaro”.

 

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…

E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar.

 

E o “AmarElo”?

O documentário “AmarElo  É tudo pra ontem”, de Emicida, ganhador do “Grammy Latino”, na categoria “Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa”, é ferramenta de profunda reflexão sobre preconceitos e desigualdades sociais.   O documentário inclui a música “Ismália”.   Emicida faz um tripé de intertextualidade: ele intertextualiza, ao mesmo tempo, a “Ismália” de Alphonsus de Guimaraes e o “Ícaro” da mitologia.    A elegância literária é indiscutível. Vale a pena analisar a letra da música, observar as intertextualidades e – claro – assistir ao documentário.

 

Com a fé de quem olha do banco a cena
Do gol que nós mais precisava na trave
A felicidade do branco é plena
A pé, trilha em brasa e barranco, que pena
Se até pra sonhar tem entrave
A felicidade do branco é plena
A felicidade do preto é quase

Olhei no espelho, Ícaro me encarou:
“Cuidado, não voa tão perto do sol
Eles num guenta te ver livre, imagina te ver rei”
O abutre quer te ver de algema pra dizer:
“Ó, num falei?!”

No fim das conta é tudo Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão
Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão

Ela quis ser chamada de morena
Que isso camufla o abismo entre si e a humanidade plena
A raiva insufla, pensa nesse esquema
A ideia imunda, tudo inunda
A dor profunda é que todo mundo é meu tema
Paisinho de bosta, a mídia gosta
Deixou a falha e quer migalha de quem corre com fratura exposta
Apunhalado pelas costa
Esquartejado pelo imposto imposta
E como analgésico nós posta que
Um dia vai tá nos conforme
Que um diploma é uma alforria
Minha cor não é uniforme
Hashtags #PretoNoTopo, bravo!
80 tiros te lembram que existe pele alva e pele alvo
Quem disparou usava farda (Mais uma vez)
Quem te acusou nem lá num tava (Banda de espírito de porco)
Porque um corpo preto morto é tipo os hit das parada:
Todo mundo vê, mas essa porra não diz nada

Olhei no espelho, Ícaro me encarou:
“Cuidado, não voa tão perto do sol
Eles num guenta te ver livre, imagina te ver rei”
O abutre quer te ver drogado pra dizer:
“Ó, num falei?!”

No fim das conta é tudo Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão
Ter pele escura é ser Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão
(Terminou no chão)

Primeiro cê sequestra eles, rouba eles, mente sobre eles
Nega o deus deles, ofende, separa eles
Se algum sonho ousa correr, cê para ele
E manda eles debater com a bala que vara eles, mano
Infelizmente onde se sente o sol mais quente
O lacre ainda tá presente só no caixão dos adolescente
Quis ser estrela e virou medalha num boçal
Que coincidentemente tem a cor que matou seu ancestral
Um primeiro salário
Duas fardas policiais
Três no banco traseiro
Da cor dos quatro Racionais
Cinco vida interrompida
Moleques de ouro e bronze
Tiros e tiros e tiros
O menino levou 111
Quem disparou usava farda (Ismália)
Quem te acusou nem lá num tava (Ismália)
É a desunião dos preto junto à visão sagaz (Ismália)
De quem tem tudo, menos cor, onde a cor importa demais

“Quando Ismália enlouqueceu
Pôs-se na torre a sonhar
Viu uma lua no céu
Viu outra lua no mar
No sonho em que se perdeu

Banhou-se toda em luar
Queria subir ao céu
Queria descer ao mar
E num desvario seu
Na torre, pôs-se a cantar
Estava perto do céu
Estava longe do mar
E, como um anjo
Pendeu as asas para voar
Queria a lua do céu
Queria a lua do mar
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par
Sua alma subiu ao céu
Seu corpo desceu ao mar”

Olhei no espelho, Ícaro me encarou:
“Cuidado, não voa tão perto do sol
Eles num guenta te ver livre, imagina te ver rei”
O abutre quer te ver no lixo pra dizer:
“Ó, num falei?!”

No fim das conta é tudo Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão
Ter pele escura é ser Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão
(Terminou no chão)
Ismália
(Quis tocar o céu, terminou no chão)

 

Esperamos que tenham gostado do conteúdo e que ele te ajude a alcançar seu sonho da aprovação. Ah! Lembre-se: é muito importante que você esclareça todas as suas dúvidas com seus professores. Eles estão preparados para saná-las da melhor maneira possível. Vamos com tudo!

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Escrito por:
Ana Cintia Matos


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