Segurança na era digital: orientação aos responsáveis

Com o tema “Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital”, a cartilha elaborada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) orienta médicos, pais, educadores, crianças e adolescentes com relação ao uso da tecnologia.

Inspirado em estudos e recomendações internacionais, o trabalho aborda os principais problemas ligados ao uso excessivo do recurso por crianças e adolescentes, todos relacionados a efeitos danosos para a saúde individual e coletiva, com graves reflexos para o ambiente familiar e escolar.

Existem benefícios e prejuízos advindos dessas tecnologias. O desafio é saber usá-las na dose certa. Entre outras consequências do uso excessivo da Internet, está o aumento da ansiedade, dificuldade de estabelecer relações em sociedade, estímulo à sexualização precoce, adesão ao cyberbullying, o comportamento violento ou agressivo, os transtornos de sono e de alimentação, o baixo rendimento escolar, as lesões por esforço repetitivo e a exposição precoce a drogas, entre outros.

TEMPO DE TELA – As primeiras orientações do Manual chamam a atenção para o tempo de uso da tecnologia digital. Neste contexto, a SBP pede que esse período seja limitado e proporcional às idades e às etapas do desenvolvimento cerebral-mental-cognitivo-psicossocial das crianças e adolescentes.

Além disso, os pediatras desencorajam e pedem para que se evite – e até proíba – a exposição passiva às telas digitais, com acesso a conteúdos inapropriados de filmes e vídeos, para crianças com menos de dois anos, principalmente durante a hora das refeições ou nas horas que antecedem o sono. Crianças entre dois e cinco anos também devem ter o tempo de exposição limitado: no máximo uma hora por dia.

Até os seis anos de idade, a orientação é para que as crianças sejam protegidas da violência virtual, “pois não conseguem separar a fantasia da realidade”. De acordo com o Guia, jogos on-line com cenas de tiroteios, mortes ou desastres e que dão pontos de recompensa não são apropriados em qualquer idade, “pois banalizam a violência como sendo aceita para a resolução de conflitos, sem expor a dor ou sofrimento causado às vítimas”.

Fazer uso de televisão ou computador em seus próprios quartos não é recomendado para crianças menores de 10 anos. “A orientação visa evitar que as crianças fiquem vulneráveis a conteúdos inapropriados ou, ainda, que tenham acesso facilitado às redes de pedofilia e exploração sexual on-line, compra e uso de drogas, pensamentos ou gestos de autoagressão e suicídio, além das ‘brincadeiras’ ou ‘desafios’ on-line que podem ocasionar consequências graves”.

Aos adolescentes, a recomendação também é para que não fiquem isolados em seus quartos. “É preciso estabelecer limites de horários e mediar o uso com a presença dos pais para ajudar na compreensão das imagens. Além disso, é preciso equilibrar as horas de jogos on-line com atividades esportivas, brincadeiras, exercícios ao ar livre ou em contato direto com a natureza”, ressaltou a especialista.

DIÁLOGO E VIGILÂNCIA – Conversar sobre as regras de uso da Internet, sobre o nível de segurança e privacidade e sobre nunca compartilhar senhas, fotos ou informações pessoais ou se expor a pessoas desconhecidas também são recomendações do Manual de Orientação “Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital”. Os pediatras também incentivam os pais e cuidadores a monitorar os sites, programas, aplicativos e vídeos que crianças e adolescentes acessam, visitam ou trocam por mensagens, sobretudo nas redes sociais.

Também é recomendado o diálogo sobre valores familiares e regras de proteção social para o uso saudável, crítico e construtivo das tecnologias, enfatizando a relevância ética de não postar qualquer mensagem de desrespeito, discriminação, intolerância ou ódio. Sob o ponto de vista técnico, a instrução é para que sejam utilizados antivírus, antispam, softwares ou programas que sirvam de filtro de segurança e monitoramento para palavras, categorias ou sites. “Alguns até restringem o tempo de uso de jogos on-line e o uso de aplicativos e redes sociais por faixa etária”, cita o documento.

 

DICAS:

– Verificar a classificação indicativa para games, filmes e vídeos e conteúdos recomendados de acordo com a idade e compreensão de seus filhos;

– Estabelecer regras e limites bem claros com relação ao tempo usado diária ou semanalmente para jogos e também com relação à entrada e à permanência em salas de bate-papo, redes sociais ou jogos de videogame on-line;

– Discutir francamente qualquer mensagem ofensiva, discriminatória, esquisita, ameaçadora ou amedrontadora, desagradável, obscena, humilhante, confusa, inapropriada ou que contenha imagens ou palavras pornográficas ou violentas;

– Recomendar aos seus filhos que nunca forneçam a senha virtual a quem quer que seja, nem aceitem brindes, prêmios ou presentes oferecidos pela Internet, assim como também jamais cedam a qualquer tipo de chantagem, ameaça ou pressão de colegas ou de qualquer pessoa on-line;

– Lembrar sempre que, como adulto, pai e/ou mãe são modelos de referência para seus filhos, por isso, precisam dar o primeiro exemplo: limite o seu tempo de trabalho no computador quando estiver em casa. Desconecte e esteja presencialmente com seus filhos.

Escrito por:
Luiza Radspieler


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